AVISO AOS LEITORES E VISITANTES CASUAIS

As postagens aqui têm diminuído drasticamente, pois estou dedicada na atualização dos outros blogs. Como alguns sabem, eles fazem parte de um projeto pessoal: a organização cronológica de memórias e conversas da nossa época de namoro à distância. Assim que puder, voltarei a “dar as caras” por aqui. Quem quiser acompanhar pode nos visitar nos outros blogs. Links disponíveis nas imagens da sidebar.

Até breve!

Kitsune & L

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

“Contos de fadas não existem!”


Ouvi isso de alguém próximo. Algumas vezes mesmo quando estamos inabaláveis como uma rocha, o pessimismo bate à nossa porta. Eu mesma já neguei a possibilidade de amor eterno e pensava que nunca viveria uma história de amor da qual pudesse me orgulhar. É compreensível, já que no mundo de hoje, o egoísmo é cada dia mais imperativo. E isso é tão contraditório, porque diariamente as pessoas vivem se conectando. Creio que o mundo jamais foi tão interativo. Temos a nossa necessidade de companhia e de diálogo multiplicada e, no entanto, cada vez mais nos isolamos e matamos as melhores possibilidades de relacionamento.

Por que agimos assim? A resposta é simples. O tempo não é mais respeitado. Colocamos nossas necessidades em primeiro plano e aceleramos o tempo natural das coisas. Criamos vínculos rapidamente e os desfazemos com uma velocidade ainda maior. Os relacionamentos (frágeis) morrem antes mesmo de amadurecer. Outros nem mesmo nascem. Penso que a maioria está à busca de si mesmo, procurando em meio a identidades estilhaçadas o seu próprio ego. Quando não há correspondência, o outro é descartado impiedosamente. Colegas (amigos, nem se fala) tornaram-se contatos, com quais ironicamente se tem pouquíssimo contato de fato. Os paradigmas se modificaram.

Estou neste contexto. Faço parte dele. Não posso negá-lo, pois seria me negar. É o que sou. É o mundo no qual estou. Contudo, em meio a essa turbulência cotidiana e à superficialidade, encontrei alguém com quem estou construindo dia após dia laços cada vez mais profundos. Laços de amor, de amizade. Isso é intimidade. Ter intimidade com alguém não é tão fácil, porque requer tempo e se não se respeita isso, o que poderia ser atrativo, se torna repulsivo. Há tempo para tudo. Tempo para se aproximar, para se conhecer, para se desejar, para se amar, para consolidar e se multiplicar. Isso é o natural. O que foge disso é artificial.

Não é que contos de fadas não existem, as pessoas é que não conseguem viver um. Mas por quê? Porque na vida real, o enredo dele não se tece apenas com uma personagem. É preciso dois. Duas personagens envolvidas no mesmo universo, na mesma trama. Empenhadas em construir a mesma história; em partilhar das mesmas aventuras e desventuras; enfrentar os mesmos dissabores e apreciar os mesmos amores; cultivar afinidades e resgatar todos os dias a magia do primeiro encontro; encantar o outro e se encantar com a própria dinâmica da relação; olhar menos para si e mais para o outro, dar um pouco mais do que receber; cuidar e se deixar cuidar; receber o outro e se entregar.

Não se pode viver passivamente a própria história e esperar que alguém escreva um final bonito (ou finais) para nossa existência. Precisamos assumir o comando. Devemos ser autores da nossa própria história. Não é preciso acreditar em contos de fadas, mas criar o nosso e vivê-lo até o seu desfecho. Não fugir quando os conflitos aparecerem e se empenhar em superar os obstáculos, para ter o prazer de ver que não desistir vale muito a pena.

Não se crê no amor, vive-se o amor! Ele não pode ser uma idéia. O amor tem que ser a nossa própria vida.

Kitsune

sábado, 3 de abril de 2010

Pequeno ensaio sobre o (meu) Amor

Foto: Nad Renrel
(The Lovers, René Magritte)




Se...  “Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.” (Buda), então é perfeitamente possível que qualquer um de nós seja arrebatado por um sentimento profundo e repentino por alguém que nunca vimos. Foi exatamente isso que aconteceu comigo e o L no dia 26 de março de 2008.
A maior parte do nosso tempo, todos nós estamos tão envolvidos em nosso próprio mundo, que nos limitamos a ter muitas vezes contatos superficiais com as pessoas que dizemos amar. O que damos a elas de nós mesmos? Quase sempre nada. Vivemos correndo em busca de um ideal de felicidade, o qual a maioria morre sem alcançar. É irônico e sinto um profundo pesar quando me lembro de mim, daquela que eu fui antes de encontrar o L. Eu poderia ter sido “condenada” a passar a “vida” toda sem ter nascido de verdade. A minha vida não era exatamente a Vida. Eu estava morta e não sabia. Estava morta por viver na ignorância. O Amor existia e eu não o conhecia.
Todos nós nascemos da Vida, mas sem Vida, sem Luz. A vida comum que conhecemos é a oportunidade que ganhamos para conhecer a verdadeira Vida e esta dádiva só acalçamos através do Amor, quando o internalizamos. A Morte e a Vida são faces de um mesmo rosto: o Amor. Conhecer o Amor depende mais de nossa percepção e nossa forma de encarar a própria existência do que de encontrar uma pessoa interessante. O Amor que nasce do nosso interior. Um sentimento que nos faz entender que a Felicidade não está em outro lugar a não ser dentro de nós mesmos. Podemos encontrar a pessoa mais fascinante, mas se não estamos prontos, se estamos fechados, mortos, nunca poderemos amar esse alguém de verdade, pois estamos secos. O Amor nos torna férteis, criativos, vibrantes, felizes.  
Eu estou aprendendo a amar e viver o Amor, mas mesmo sendo maravilhoso, é tão difícil. Quem disser que amar é fácil, mente. Todo nascimento é doloroso. E o nascimento para o Amor é o mais sofrido de todos eles. O Amor nos tira do lugar-comum, nos transforma, nos obriga a abandonar o Ego, algo que passamos a vida inteira construindo, dia após dia. O Amor nos liberta, nos torna mais seguros, mais naturais, mais iluminados, mais confiantes. Mas isso requer muito esforço próprio e sensibilidade para entender que o Amor não se limita ao sentir. O Amor é Vida. E a Vida se faz através do que experimentamos. Nossas atitudes revelam o quanto amamos.
Somos apegados ao concreto, ao que vemos. E o Amor? Vemos muitas manifestações dele, mas e quanto à forma? Podemos ver exatamente o Amor? É claro que não, pois ele não tem uma expressão única. Cada um deve buscar a sua própria expressão do Amor. Mas se ele é tão inefável, por que se acredita tanto nele? Por que todos buscam o Amor? Por que ele é tão importante? O Amor é uma energia, da qual todos nós podemos acessar se estivermos preparados. E quando somos envolvidos por ela, podemos torná-la algo sólido através de nossos atos.  O Amor traz consigo uma carga de unidade muito forte. Ele conecta as pessoas através de algo que é maior do que toda a humanidade.
Amar alguém requer amar a si mesmo. E este amor, eu descobri que em mim era tão precário, tão frágil... Foi ele quem fortaleceu isso dentro de mim e me preparou para amá-lo de verdade. Naquela nossa primeira conversa, quando tive contato com a natureza dele pela sua forma de pensar, foi o momento em que a Vida começou a entrar em mim. Foram três dias de deslumbramento. E confesso que o fato de não vê-lo pessoalmente ou por fotos não me incomodava e era até algo que eu não fiz questão, pois junto viria a paixão e eu estaria presa a algo que não achava seguro. Mas eu já estava ligada a ele e custei a admitir isso. Impossível! Como assim? Alguém que nunca vi?
Algo maior do que uma simples paixão estava acontecendo conosco e eu não entendia. Nós nos expomos um ao outro através de nossas idéias, nossas opiniões. Isso é tão arriscado! Quantas pessoas escolhem conquistar alguém apenas falando o que pensam? Poucas. E quantas são capazes de se interessarem por outra pessoa apenas conhecendo seus pensamentos? Todas! Todos nós podemos, mas nem todos queremos. Isso porque a maioria de nós está mais “aberta” ao externo, ao superficial. Mas o Amor não nos invade desta forma. Então, você pensa: “Como assim? Gostar de alguém que nunca viu? Isso é loucura! É uma ilusão! Não é possível!”
É plenamente possível. Aliás, é a única forma de se Amar verdadeiramente alguém. Tudo o que ela é externamente é superficial ao Amor que me refiro. Claro que todos nós podemos experimentar as sensações que a atração, o desejo nos proporciona, mas posso afirmar seguramente que sem o Amor, isso tudo é vazio e logo se esvai. Esse amor, que todos confundem com o Amor, é finito. Ao contrário, o Amor não tem limites, não conhece a Morte, embora ela também faça parte dele de alguma forma. Não é porque você vive uma “vida morta”, que o Amor deixa de existir. A energia do Amor está sempre presente para que todos possam experimentá-la.
O Amor não morre. Se você teve algum sentimento que julgava ser amor e que agora está morto, com certeza não era Amor. O Amor se manifesta na Vida, tornando-a Eterna. Não quero me importar com o que vem depois da morte do meu corpo, pois acho completamente inútil ficar me preocupando com isso. O que mais quero dessa minha existência é que o meu corpo viva o suficiente para eu poder viver o Amor com ele. E que ele viva o bastante também, pois mesmo sendo um ser único, eu conquistei uma unidade com ele, da qual quero usufruir por toda a minha vida. E quero isso porque ele quer também. Amor não é exigência. Amor é entrega voluntária. Amor é doação e não obrigação.
Esta unidade que sinto e que senti desde as primeiras palavras trocadas dão um novo caráter ao ar que eu respiro, ao mundo que eu vejo, aos sentimentos que eu sinto, às atitudes que tomo. É uma Vida completamente nova e não sinto saudades daquela que eu tinha. Quando me lembro dela, choro. Sinto uma angústia terrível só de lembrar do que eu era antes dele. Que bom que nós dois estávamos abertos e ansiosos para vivenciar o Amor. Fomos suficientemente sinceros, sem deixar de sermos discretos, desconfiados, bem ao nosso estilo, mas ainda assim nos entregando, passando (cuidadosamente) pelas portas que se abriram diante de nós dois. E nós passamos juntos por elas todas. Foram várias, umas semiabertas, outras fechadas e algumas trancadas. Essas nós descobrimos que a chave já estava em nosso poder. Fantástico um ensinando ao outro como destrancar cada uma delas. O L me ensinou e me ensina muito.
Não tem preço poder ser e agir com toda a naturalidade diante de outra pessoa. É dessa Liberdade que vivo a falar. Além disso, há a confiança que se ganha à medida que se aumenta a intimidade. A real intimidade que conquistamos quando conhecemos o outro em sua essência, através de seus pensamentos. Todos deveriam exercitar o poder de se conhecer melhor e se preparar para receber o outro dentro de si, pois só quando nos conhecemos de verdade, podemos aceitar o outro como ele é, independente de sua forma física, e recebê-lo em nosso coração, através de nossas atitudes sempre pautadas no Amor.
É só por ter Amor pelo L que e ele por mim que conseguimos ficar dois anos assim longe um do outro. Partilhamos toda a nossa vida um com o outro nesse meio tempo. Ajudamos um ao outro nos momentos mais críticos. Comemoramos as vitórias particulares, que para cada um significava uma vitória dos dois. Estivemos a maior parte do tempo felizes apenas pelo o outro existir e nos amar na mesma proporção. O nosso sofrimento sempre foi decorrente da necessidade de encontrar a nós mesmos. Eu nele. Ele em mim. Nós dois temos uma Unidade que foi construída lentamente nas longas horas de conversa ou simplesmente quando ficávamos nos admirando (via web cam) sem dizer uma única palavra, pois Amor também é ausência do verbo, silêncio, paz, calma, segredos que só os amantes (pessoas que amam) conhecem.
Eu preciso dele, porque preciso de mim. Preciso cuidar dele para que eu viva bem. Quando ele sorri, um sol brilha dentro de mim, mas quando ele se entristece, a escuridão me toca. Só quero proporcionar alegrias a quem eu tanto amo, por isso, preciso cuidar de mim, ser alguém cada vez melhor. Preciso oferecer coisas positivas. E quero que ele viva muito e feliz para que cada dia eu possa ver através dos olhos dele o quanto eu estou viva e que o Amor habita em mim. 

Kitsune

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Da felicidade que arrebata de fora

"Só temos alegrias se as repartirmos: a felicidade nasceu gêmea."
George [Lord] Byron


Fala-se tanto sobre a felicidade e sobre como encontrá-la. Eu já li, vi e ouvi tanta coisa... É verdade que a felicidade está dentro de nós mesmos. Essa é uma felicidade genuína. No entanto, não seria também, aquela que nos pega de surpresa, que não depende do teu estado de espírito? Não é magnífico quando dentro de si aquele poço de infelicidade é inundado por uma torrente de alegria externa que te invade e te contamina completamente de felicidade alheia?

Quando olho para mim isoladamente, não encontro muita coisa positiva. Sinceramente, acho que sozinha não sou nada. É no contato com o mundo e com o que me rodeia que consigo me perceber e compreender o que sou e o que quero. Portanto, acho que a felicidade se encontra nesse movimento de olhar para fora e, em seguida, voltar-se para dentro. É nesse instante de retorno, quando me volto para mim mesma e sou atingida por uma onda de júbilo exterior que me acompanha nessa viagem interna, que me descubro plenamente feliz. O tocar de duas felicidades. Duas felicidades que se excitam pelo mesmo motivo: existirmos e por estarmos ali juntos.

É essa felicidade que me realiza. A que vem de fora e que ao entrar em contato com a minha, me implode irradiando mais felicidade por todos os poros, um olhar, um sorriso, um gesto, uma palavra. Transformo-me em felicidade viva, no instante em que ela passa a ter um real significado. É isso que me dá ao mesmo tempo paz e euforia, calma e empolgação, paciência e pressa. E não me digam que isso não é felicidade. Não se atrevam a dizer que o que está fora de mim não é felicidade. Como não pode me dar felicidade algo que está fora e que vejo ao mesmo tempo dentro de mim? É aqui que o um não é muito importante. É aqui, justamente aqui, que descubro que o um é zero e que o verdadeiro um é o dois.

* * *



L, é através de ti que encontro a felicidade.
Por conta disso, não vejo equívoco em dizer
que você é a minha felicidade ou a razão dela.

Eu te amo!
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