AVISO AOS LEITORES E VISITANTES CASUAIS

As postagens aqui têm diminuído drasticamente, pois estou dedicada na atualização dos outros blogs. Como alguns sabem, eles fazem parte de um projeto pessoal: a organização cronológica de memórias e conversas da nossa época de namoro à distância. Assim que puder, voltarei a “dar as caras” por aqui. Quem quiser acompanhar pode nos visitar nos outros blogs. Links disponíveis nas imagens da sidebar.

Até breve!

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domingo, 3 de janeiro de 2010

Saudade é não saber...


Foto: Qskulls™


(...)
Saudade é não saber mesmo!
(...)
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber
como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como
frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de
um silêncio que nada preenche.
(...)

Martha Medeiros

Pacto

Foto: nanand81

Pacto

Daquele que amo
quero o nome,
a fome
e a memória.
Quero o agora.
O dentro e o fora,
o passado e o futuro.
Quero tudo: o que falta
e o que sobra
o óbvio e o absurdo.

Maria Esther Maciel

sábado, 14 de novembro de 2009

somewhere i have never travelled



somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully ,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain, has such small hands

e.e. cummings


nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além

de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas


Tradução de Augusto de Campos



I carry your heart with me

Foto: lenaka94

I carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere


i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart(i carry it in my heart)


e.e. cummings



Eu carrego o seu coração comigo (Eu o carrego no
meu coração) Eu nunca estou sem ele (aonde
quer que eu vá você vai, minha querida) E o que quer
que eu faça sozinho é seu feito, minha querida)
Eu não temo
o destino (Porque você é o meu destino, minha doçura) Eu não quero
o mundo (por mais belo que seja porque você é o meu mundo, minha verdade)
e você é tudo que a lua sempre significou
e tudo que o sol irá sempre cantar é você


Aqui está o maior dos segredos que ninguém sabe
(Aqui está a raiz da raiz e o broto do broto
E o céu do céu de uma árvore chamada vida: que cresce
maior do que a alma pode esperar ou a mente esconder
e esta é a maravilha que mantém as estrelas separadas


Eu carrego o seu coração (eu o carrego no meu coração)

since feeling is first





since feeling is first
who pays any attention
to the syntax of things
will never wholly kiss you;

wholly to be a fool
while Spring is in the world

my blood approves,
and kisses are a better fate
than wisdom
lady i swear by all flowers.  Don't cry
- the best gesture of my brain is less than
your eyelids' flutter which says

we are for each other; then
laugh, leaning back in my arms
for life's not a paragraph

And death i think is no parenthesis

e.e. cummings




uma vez que sentir é fundamental,
quem presta atenção
à sintaxe das coisas
nunca conseguirá beijá-la por inteiro,


Ser um tolo completo
enquanto houver primavera no mundo


meu sangue aprova
e beijos são uma ventura melhor
que a sabedoria,
moça, juro isso por todas as flores.  Não chore
- o melhor gesto de meu cérebro é menor que
o abrir e fechar de suas pálpebras que dizem

que somos um para o outro; por isso
ria, recostada em meus braços,
porque a vida não é um parágrafo


e a morte, acredito, não é um parêntesis.

(tradução livre de "since feeling is first")




I have found what you are like
        the rain,

                (Who feathers frightened fields
        with the superior dust-of-sleep. wields

        easily the pale club of the wind
        and swirled justly souls of flower strike

        the air in utterable coolness

        deeds of green thrilling light
                                      with thinned

        newfragile yellows

                          lurch and.press

        -in the woods
                     which
                          stutter
                                 and

                                    sing

        And the coolness of your smile is
        stirringofbirds between my arms;but
        i should rather than anything
        have(almost when hugeness will shut
        quietly)almost,
                                  your Kiss

e.e. cummings

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde...


*Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és,
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha,
tão perto que se fecham seus olhos com meu sonho.


Pablo Neruda (1904 - 1973)

***

*trecho traduzido do soneto La danza do livro Cien sonetos de amor do poeta chileno Pablo Neruda. Abaixo o texto original da íntegra, seguido da tradução completa.


La Danza - Soneto XVII

No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
O flecha de claveles que propagan el fuego:
Te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
Secretamente, entre la sombra y el alma.

Te amo como la planta que no florece y lleva
Dentro de si, escondida, la luz de aquellas flores,
Y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
El apretado aroma que ascendio de la tierra.

Te amo sin saber como, ni cuando, ni de donde,
Te amo directamente sin problemas ni orgullo:
Asi te amo porque no se amar de otra manera,

Sino asi de este modo en que no soy ni eres,
Tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mia,
Tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.

A Dança

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e
Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor, vive oculto em meu
Corpo o apertado aroma que ascende da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Senão assim, deste modo, em que não sou nem és.
Tão perto de tua mão sobre meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.



***

[faltam 50 dias para te encontrar, amor]

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Reconheço (Te conozco)


Te conozco
Silvio Rodriguez

De niño, te conocí
entre mis sueños queridos.
Por eso cuando te vi
reconocí mi destino.
Cuando pensaba que ya no iba a ser,
lo que soñara de pronto, vino.

Tanto que yo te busqué
y tanto que no te hallaba,
que al cabo me acostumbré
a andar con tanto de nada.
Cuánto nos puede curar el amor,
cuánto renace de tu mirada.

Te conozco,
te conozco desde siempre, desde lejos
Te conozco,
te conozco como a un sueño bueno y viejo.
Es por eso que te toco y te conozco.

El lago parece mar,
el viento sirve de abrigo:
Todo se vuelve a inventar
si lo comparto contigo.
La única prisa es la del corazón
la única ofensa, tener testigos.

Te conozco,
te conozco desde siempre, desde lejos
Te conozco,
te conozco como a un sueño bueno y viejo.
Es por eso que te toco y te conozco.
Te conozco


Reconheço (Te conozco)
Zizi Possi 
(Silvio Rodriguez - versão: Ronaldo Bastos)

Menino, te conheci
entre os meus sonhos queridos
Por isso quando te vi
Reconheci meu destino
Eu que pensava que já não ia ter
O que sonhara acontecido

Tanto que eu te busquei
E tanto que não te achava
Que aos poucos me acostumei
A andar com tanto de nada
Quanto nos pode curar o amor
Quando renasce a madrugada

Te conheço
Te conheço desde sempre há tanto tempo
Te conheço
Reconheço como um sonho cheio de calor
E é por isso que te toco e te conheço

O lago parece o mar
O vento serve de abrigo
Tudo se torna a inventar
Se compartilho contigo
A única voz é a do coração
A única paz é correr perigo

Te conheço
Te conheço desde sempre há tanto tempo
Te conheço
Reconheço como um sonho cheio de calor
E é por isso que te toco e te conheço

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Amo-te tanto!


Os versos que te fiz

Deixa-me dizer os lindos versos raros
Que a minha boca tem para te dizer!
São talhados em mármore de Páros
Cinzelados por mim para te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa-me dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos para te endoidecer!

Mas, meu amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda,
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca
(1894 - 1930)
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